Em Portugal, este pequeno país retratado pela imprensa internacional como o próximo a ser financeiramente resgatado e onde as pessoas estão apáticas e sem esperança, a cadeira de Primeiro Ministro está em disputa.
Surpresa! José Sócrates ameaçou e cumpriu, apresentou um pedido de demissão após a reprovação do PEC4. Ainda a cadeira não arrefeceu, até porque ainda não é pública a decisão de Cavaco Silva acerca do pedido de demissão do Primeiro Ministro, e já as garras previamente afiadas dos abutres políticos se faziam notar.
Passos Coelho, ainda que contrariado obedece às instruções dos Barões do PSD, ou apenas às do isento Presidente da República que geriu os prazos para a sua recondução e consolidação no cargo, e o seu partido, aliás, alguma oposição por forma a não haver uma crise política ou uma queda de Governo precoce. Precoce, não para o país, mas para a sua posição de influência sobre o país. Após um discurso de tomada de posse onde abriu oficialmente as hostilidades, da sua cadeira de soberania Cavaco Silva, instruiu o D. Sebastião social democrata para disferir o golpe final sobre Sócrates. Passos Coelho, entre a espada e a parede vê-se obrigado a agir apesar de ter claramente demonstrado que não cobiça a cadeira do poder no momento actual.
Em paralelo, Paulo Portas mal consegue conter o entusiasmo que a possibilidade de regressar a um lugar de poder lhe desperta. Ainda antes do pedido de demissão de Sócrates já ensaiava os soundbytes num congresso que exultava à coligação.
À esquerda Bloco e PCP mantêm-se coerentes nas suas posições e batalham pelo impossível. Pedem e propõem, ainda que sem ideias explícitas, um outro caminho menos neo-liberal. Talvez há oito ou dez anos tivesse sido possível fazer esta escolha, mas os compromissos assumidos pelo país à banca e mais recentemente a um conjunto de instituições internacionais, que gostemos delas mais ou menos nos estão e vão ajudar a sustentar a dívida do país.
Por seu lado o PS reelege o demissionário Primeiro Ministro para Secretário Geral…
E os portugueses assistem. Sem esperança, sem reacção. Como se os acontecimentos destes últimos dias não tivessem acontecido, ou apenas porque aconteça o que acontecer nada acontece em Portugal. Resta-nos esperar que passe a silly season, que se antecipou este ano para a Primavera, que se clarifiquem as agendas pessoais e políticas e que chegue o FMI e nos salve a todos.
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